Doria quer aumentar velocidade das marginais na 1ª semana de governo
03/10/2016 - 11h49 em Brasil

Doria quer aumentar velocidade das marginais na 1ª semana de governo

Prefeito eleito disse que irá manter o valor da tarifa do ônibus em R$ 3,80. Tucano venceu no 1º turno com 53,29% dos votos válidos.

O prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), disse na manhã desta segunda-feira (3) que irá manter o valor da tarifa da passagem de ônibus e aumentar a velocidade das marginais Tietê e Pinheiros em sua primeira semana de governo.

“Na semana seguinte muda [velocidade das marginais]. Só não muda no dia seguinte porque nós precisamos mudar a sinalização conforme determina o Código Nacional de Trânsito. As velocidades nas marginais vão para 90, 70 e 60 [km/h]. O restante da cidade vamos manter e rever, ponto a ponto, necessidade de revisão”, afirmou o prefeito eleito. A mudança da velocidade das marginais foi um dos assuntos mais polêmicos e que gerou maior número de críticas ao prefeito Fernando Haddad (PT).

Questionado se não teme que isso possa ocasionar um número maior de mortes em São Paulo, Doria negou. “Isso é uma falácia. Com sinalização, fiscalização, com campanhas educativas não haverá aumentos, haverá decréscimo de acidentes”, declarou.

Doria também garantiu que não irá reajustar o valor das tarifas das passagens de ônibus e irá manter o preço atual de R$ 3,80.

“Não vamos mexer na tarifa, não há a menor possibilidade de mexer na tarifa. Nós temos que aumentar a eficiência, não é aumentar a tarifa e nem criar impostos, não vamos fazer isso”, disse.

Na tentativa de solucionar o problema do transporte na capital paulista, Doria diz que são necessários recursos das três esferas do governo. “Temos que ter ação integrada do governo do estado, prefeitura e também governo federal. Esse problema é difícil de solucionar, porque os investimentos são muito elevados e você tem que investir em infraestrutura”, disse.

Ele também prometeu fortalecer corredores, ônibus articulados e biarticulados que comportam maior número de passageiros.

Doria prometeu que os secretários e coordenadores tomarão providências imediatas sobre os problemas da cidade apontados pela população no jornal da TV Globo, Bom Dia São Paulo. “Todos aqueles que terão executiva na prefeitura de São Paulo terão obrigatoriedade de assistir ao Bom Dia São Paulo diariamente, vão ter que acordar cedo”, disse.

Disse também que será mais enfático na cobrança da Eletropaulo que não cumpriu o compromisso de enterrar os fios na cidade. E ressaltou que irá tirar a CGM (Guarda Civil Metropolitana) de cima das pontes e viadutos para aplicar multas.

O prefeito eleito também falou que o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o ISS (Imposto Sobre Serviços) não serão reajustados.

Prioridades

Para o prefeito eleito, a Saúde será um tema prioritário em sua gestão. Ele prometeu zerar, no período de um ano, a fila para a realização de exames médicos.

“A principal prioridade é reduzir o número de 500 mil que esperam por exames médicos na cidade de São Paulo. É gravíssimo isso”, disse.

Doria pretende reduzir a fila com um programa emergencial usando hospitais privados e hospitais públicos do estado para realização de exames, além de melhorar a rede municipal.

“No prazo limite de um ano conseguiremos zerar esse déficit e colocar a saúde nesta área em uma situação confortável, jamais no tempo de espera que existe hoje”.

Na Educação, a prioridade será aumentar o número de creches e o tucano diz que irá fazer novos convênios com organizações sociais. De acordo com ele, atualmente, 103 mil crianças de zero a 3 anos estão fora das creches, número que pretende zerar em um ano. “Nós temos que zerar esse déficit e vamos conveniar mais creches, não vamos construir, não há recursos suficientes para isso”, salientou.

Vitória

Doria é o primeiro prefeito de São Paulo eleito em primeiro turno desde 1992, quando as eleições passaram a ter dois turnos. Ele vai tomar posse em 1º de janeiro de 2017. “Foi uma surpresa positiva. Nós tínhamos certeza da vitória, mas não imaginávamos uma vitória tão expressiva como essa, histórica, nunca aconteceu isso na cidade”, disse Doria.

Sobre o número de abstenções, ele diz que interpretou como uma negação a política. “A população está muito cansada da velha política”.

Indagado se terá uma gestão como a do seu padrinho político, Geraldo Alckmin, que tem várias obras atrasadas e promessa não cumpridas, Doria quis deixar claro que cada administração é diferente.

“Eu gosto do governador Geraldo Alckmin, não nego isso, é um bom gestor, um homem honesto, um homem sincero. A vida no município é diferente do estado. A vida na Prefeitura é mais intensa, exige uma ação mais presente do gestor”, afirmou. “Cada um faz sua gestão, cada um cumpre seu papel e sua obrigação”.

Alckmin

A vitória de Doria confirma a aposta do governador Geraldo Alckmin em sua figura como candidato. Doria se impôs sobre outros nomes do PSDB, e em uma campanha de 45 dias saiu da faixa de 5% na primeira pesquisa para vencer no primeiro turno, derrotando três candidatos que já foram prefeitos: Fernando Haddad, Marta Suplicy e Luiza Erundina.

Em entrevista coletiva após o anúncio de sua vitória, Doria afirmou que vai governar “para todos” e que vai “modernizar a cidade”.

“A todos vocês que acreditaram em mim, muito obrigado. E aos que não votaram também quero agradecer, porque vou governar para todos. Quero muito o apoio das pessoas, o apoio dos jovens. Vamos fazer uma gestão com muita juventude, para modernizar a nossa cidade, colocar São Paulo no plano digital, colocar São Paulo no posto que ela perdeu anos atrás. São Paulo não é dos paulistas, São Paulo é de todos os brasileiros."

O prefeito eleito também voltou a dizer que é gestor, não político. ”Assim vou fazer à frente da Prefeitura, sem desrespeitar os políticos e nem a política. Mas eu sou um gestor. O que São Paulo precisa neste momento é de um administrador”, declarou a jornalistas.

Estranho no ninho

Doria destacou ao longo da campanha o perfil de empresário. “Não sou político, sou um gestor”, repetiu. O candidato disse ainda que vai privatizar o Pacaembu, Anhembi e Interlagos, extinguir a Secretaria da Promoção da Igualdade Racial e vai manter a Secretaria da Pessoa com Deficiência.

O tucano largou com números muito baixos de intenção de voto e sem apoio de boa parte do seu partido. Acusado pelos adversários de comprar votos na pré-campanha, Doria se viu sem o apoio de quadros históricos do PSDB, como Andrea Matarazzo, que migrou para o PSD e se tornou candidato a vice de Marta (PMDB) e o ex-governador Alberto Goldman.

Com uma propaganda baseada na história de um homem que trabalhou para alcançar o patrimônio, Doria cresceu exponencialmente nas semanais finais. Nas caminhadas pelos bairros, o candidato fez questão de posar comendo coxinha, tomando café em padaria e abraçando eleitores.

Crédito: G1 Globo

 

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